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Boris

BORIS legend

Queridos
Boris se foi na noite de sábado.
Tenho certeza de que todos que conviveram com este verdadeiro anjo, devem, como eu, estar sentindo a perda de um grande amigo.
Mais que um cão, ele foi um dos seres mais extraordinários que já tive o privilégio de conhecer em minha vida. Sua nobre missão  foi muito além de tudo que se esperava. Em sua dedicação infinita, Boris irradiava e distribuía – sempre generosamente – carinho e alegria para todos que dele se aproximavam em busca de um momento feliz.
Até mesmo para aqueles que só o conheceram por suas histórias, às vezes comoventes, por outras divertidas, mas todas sempre reveladoras de sua grande alma e espírito superior, Boris, em sua simplicidade e descomplicação, trouxe luz e sabedoria.
Após uma admirável passagem por esta existência, tem agora seu merecido repouso em alguma outra dimensão que, por desconhecermos, nós que ainda não fizemos a travessia, chamamos ingenuamente de céu. Se este lugar, no entanto, existe apenas em nossos corações, então é lá que Boris, em nossas lembranças, viverá para sempre.
Saudades, Boris
Com amor
Maria Augusta

Nossos parceiros

caesguias na paulista

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ProPlan

Purina ProPlan

Centro Voluntariado de Sao Paulo

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Leader Dogs

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futuro cão guia

futuro cão guia - IRIS

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Entidade qualificada como OSCIP pelo Ministério da Justiça

FONTE: REVISTA ÉPOCA

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI103120-15223,00-COMO+OS+CEGOS+DIFERENCIAM+AS+NOTAS+DE+DINHEIRO.html

NOTAS DE REAL

notas de real


Como os cegos diferenciam as notas de dinheiro?

As cédulas de real apresentam diferenças perceptíveis no tato apenas quando estão novas. O Banco Central deve adotar modelo estrangeiro para que os cegos consigam identificar melhor os valores. O braile não é uma opção viável

Laura Lopes


Real
As notas apresentam apenas marcas de relevo
Em qualquer lugar do mundo é possível reconhecer o valor das notas de dinheiro. Seja na Índia, na China ou nos Estados Unidos, e nem precisa saber a língua nativa, nem mesmo ser alfabetizado. Só há uma exceção para essa regra: os deficientes audiovisuais. Como eles contam dinheiro? Aqui no Brasil, as moedas da segunda família (a segunda geração de moedas de real) possuem tamanhos e espessuras diferentes, algumas são serrilhadas nas bordas, justamente para serem diferenciadas por meio do tato. Já as cédulas têm marcas de relevo que se perdem com o uso. “Essas marcas são pouco perceptíveis, principalmente para os mais idosos. E, com o tempo, as notas vão perdendo o relevo”, diz Regina Fátima Caldeira de Oliveira, deficiente visual e coordenadora da Revisão dos Livros Braille da Fundação Dorina Nowill, de São Paulo.

NOTAS DE EURO

notas de euro

Euro Cada valor tem um tamanho diferente, obedecendo à regra de quanto maior o valor, maior o tamanho. A nota também apresenta marcas táteis em relevo
A primeira solução que vem à cabeça é a inserção de caracteres em braile nas notas. Essa, no entanto, é uma saída pouco útil: o braile sairia com o desgaste das cédulas, assim como acontece com as marcas de relevo atuais. “Além disso, o braile é lido por muitas pessoas cegas, mas não por todas. A gente não quer braile nas notas”, afirma Regina, que participou de reuniões com o Banco Central e a Casa da Moeda, junto a entidades representativas dos deficientes visuais do país, para encontrar uma solução viável e prática para o problema. O BC comunga a opinião da Fundação Dorina. Segundo João Sidney, do chefe do departamento de Meio Circulante, “a tecnologia de impressão não tem sobrevida. Na terceira manipulação da nota, o braile já acaba”.

Apesar da concordância, pouca gente sabe que o braile não é o melhor caminho a seguir. No dia 27 de outubro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou um ofício à Casa da Moeda solicitando informações sobre a viabilidade técnica para implantação desse sistema de leitura nas cédulas e moedas do país. A proposta, feita pelo conselheiro do Amazonas Edson de Oliveira, tem a melhor das boas intenções, em defesa dos direitos dos cegos, já que os mesmos não têm acesso à leitura das notas. Mas não funciona. “Há quem faça isso para melhorar e ajudar, mas devia falar com pessoas que lidam com o problema diriamente e que podem ter a melhor proposta”, diz Regina.

Austrália As notas têm tamanhos diferentes e são reconhecidas por meio de um gabarito
Entre as propostas sugeridas nas reuniões entre as entidades e o governo, a que mais agrada Regina é o modelo adotado na Austrália e nos países que fazem parte da comunidade Européia (e usam o euro). Lá, as notas possuem tamanhos diferentes, crescendo à medida que o valor aumenta. O portador de deficiência visual recebe uma espécie de gabarito que indica o valor da nota, em braile. Ao colocar a nota dentro desse gabarito, sua ponta vai cair sobre o valor correspondente a ela. Serve mais para quem ainda não decorou o tamanho das notas ou não está acostumado àquela moeda.

Canadá Além das notas terem furinhos arranjados de formas diferentes para cada valor (à dir.), um aparelhinho lê a nota e emite um sinal diferente para cada valor, por meio de voz, som ou vibração
Na opinião do BC, no entanto, o modelo canadense é que deve vigorar no Brasil. Segundo o chefe do departamento de Meio Circulante do Banco Central, não é necessário mexer no design ou tamanho do dinheiro. “O Canadá insere nas notas uma tinta invisível diferente para cada valor e distribui um aparelhinho subsidado que reconhece o magnetismo da tinta e emite um sinal para cada valor”, afirma João Sidney. Trata-se de um aparelho pequeno, que pode ser levado no bolso e distribuído gratuitamente pelo Canadian National Institute for the Blind. Sobre o gabarito, adotado pelos australianos e europeus, Sidney diz que não é a melhor solução e, como o reconhecimento é feito pelo tato, pode levar a erros de interpretação. “Eu apostaria nessa tecnologia sonora”, diz. Só não se sabe quando ela entrará em vigor.

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Perfil do Boris

Boris e Thays

Eu não sou cachorro não

Fred Melo Paiva

/ Copyright O Estado de S.Paulo, 9/4/2006

A primeira vez que Boris deu com a cara na catraca foi na estação Marechal Deodoro do Metrô. Possuindo rabo e sendo quadrúpede, foi tratado como um cachorro: “Aqui não é permitido animais”, rosnou o funcionário da companhia, barrando sua entrada. Boris não entendia nenhuma palavra de português – é cidadão americano e está no Brasil a trabalho. Limitou-se a mostrar a língua, sem que houvesse nisso qualquer atitude de escárnio. “O fato de ele ser um animal é apenas uma coincidência”, intercedeu a advogada Thays Martinez, 32 anos, fiel companheira de Boris. “Ele não está aqui como bicho de estimação. Eu sou cega e este cão é o instrumento que me permite andar pela cidade.” Diante do inesperado argumento de que o cachorro não era um cão, o funcionário decidiu acionar a chefia. Evocando cláusulas e determinações, a chefia transferiu o problema à instância superior, instância esta que deveria reportar-se a seus diretores, cujos despachos incluiriam a análise dos requerimentos, tudo registrado em cartório e com firma reconhecida. Depois de 7 horas diante do portão de entrada, Boris bocejava com insistência. Foi quando um vira-lata atravessou a rua, enfiou-se por debaixo da catraca e desapareceu pelos corredores da estação. “Que País é este?”, teria se perguntado Boris (em inglês), antes de acomodar-se para uma pestana.

Boris é americano do Michigan. Tem 49 anos – quer dizer, 7, se considerarmos a sua idade de cachorro e não de ser humano. É um cão labrador cuja árvore genealógica certamente esconde algum golden retriever, o que justificaria o fato de ser Boris um cachorro dado a um certo cinismo, nada que comprometa no entanto o seu caráter. Boris nunca teve filhos. É virgem, inclusive. Castraram Boris. Essas são questões bastante pessoais, mas devemos nos ater a elas para compreender o tamanho da dedicação de Boris à sua carreira profissional. Boris é um cão-guia, especialista na condução de deficientes visuais. Não ficaria bem, portanto, vê-lo escarafunchando o cio alheio, ainda mais levando a reboque uma pessoa cega. A abdicação de Boris foi premiada essa semana, quando a Justiça finalmente liberou sua pessoa jurídica para utilizar o Metrô sem nenhuma restrição. “Uma boa discussão pode abrir portas antes insuspeitadas”, escreveu Quiroga na sua coluna de horóscopo, sexta-feira passada, a respeito dos librianos. Boris é de Libra.

Vem de antes do berço a seriedade com que Boris encara seus desafios profissionais. Treinado pela ONG americana Leader Dogs for the Blind, ele passou primeiro por uma seleção genética. A escola, que prepara cerca de 300 cães-guias por ano, tem tentado aprimorar características físicas e de temperamento adequadas à função – “o cachorro não pode ser submisso demais”, explica Thays, “e nem dominante em excesso”. A observação desses aspectos leva a instituição a escolher sempre os filhotes mestiços, frutos dos primeiros cruzamentos entre mais de 20 raças do mundo, do pastor alemão ao poodle gigante. No começo, Boris chamava-se Chips (e uma colega sua, Pepsi). Como os outros cachorros da ONG, foi entregue a uma família voluntária quando tinha 2 meses. Nada a ver, ainda, com os deficientes visuais – durante um ano inteiro, essa família tratou de “socializar” Boris, fazendo-o freqüentar restaurantes, viajar de avião junto com os demais passageiros, passear no shopping. Ensinou-lhe “boas maneiras”, o que no caso dos cães significa não subir no sofá, não defecar no tapete, não atacar o prato de comida dos seres humanos. Aliás, a comida dos humanos, a exemplo do sexo com animais, está vetada desde sempre.

Na adolescência, os cães-guias são devolvidos à escola. Hora de aprender os “comandos de obediência”. O princípio básico é o seguinte: o cão deve andar em linha reta até que haja um obstáculo ou receba a ordem para mudar de direção. Assim, começa a ter noção do que é direita e esquerda. Aprende a parar diante dos degraus e a sinalizar a travessia de uma rua. Desenvolve a capacidade de calcular os obstáculos aéreos – aqueles pelos quais o cachorro passa batido, mas os cegos acabam batendo a cabeça.

Depois de 5 meses de treinamento, tem-se um cão pronto para a labuta – e assim Boris foi parar em um banco de dados, isso quando ainda era Chips. Seu nome passou a fazer parte de um grande arquivo no qual estão listadas cerca de 60 características de cada animal preparado pela Leader Dogs. Essas características seriam depois confrontadas com aspectos físicos e psicológicos dos deficientes visuais, reunidos em um outro banco de dados, similar ao dos cachorros. Foi nessa “agência de casamentos” que Thays encontrou Boris.

Boris não foi o primeiro. Antes dele teve o Astro, um fila brasileiro – Thays era pequena e montava a cavalo nele. Depois veio Tocha, o vira-lata. Debby, uma beagle. Vick, Mini e Bill, os poodles. Paulistana, Thays ficou cega quando tinha 4 anos, por causa de uma caxumba. Só viu o Astro, mas não se lembra da cara dele. Thays não tem memória visual – é como se tivesse nascido cega. Com 7 anos, uma professora da escola contou para ela sobre os cães-guias que tinha visto na Europa. Thays ficou com aquilo na cabeça. “Depois, quando eu já era adolescente, comecei a sentir necessidade de ter um pouco mais de independência”, conta. “Então fui procurar um daqueles cachorros para mim.” De cara, comprou um labrador. Tentou treiná-lo por conta própria. Não imaginava o grau de complexidade que envolvia a tarefa – só viria a descobri-lo na internet, quando uma amiga acessou o site da ONG americana. Thays foi buscar Chips no Michigan quando tinha 26 anos – “de graça, porque a ética de manuseio do cão-guia é a mesma do transplante de órgãos”. Chips virou Boris. E Boris operou uma mudança substancial na maneira que Thays passou a enxergar o mundo. “Tudo o que construí nos últimos anos”, ela diz, “foi conseqüência direta ou indireta da qualidade de vida que o Boris me trouxe”.

Boris é hoje um sujeito bilíngüe. Há seis anos no Brasil, aprimorou e muito a sua capacidade de parecer gente. “Encontre uma escada para mim”, ordena Thays. E lá vai o Boris. O comando funciona também para “elevadores, mesas, cadeiras” e o que mais se desejar. Se Thays está de tênis, ele anda “rápido e relaxado”; se coloca salto, estará atento aos mínimos buracos. Para que memorize um endereço (um cão-guia é capaz de guardar na cabeça cerca de 200), basta que ela o leve duas vezes até o local. Na terceira vez, Boris vai sair de casa, tomar o caminho do Metrô ou do ônibus, sair da estação na direção correta, dobrar esquinas, atravessar ruas, achar a entrada do prédio e levá-la até o balcão de atendimento. Por fim, será agraciado com “uns biscrocs”, que é o seu “suborninho” – Boris já abrasileirou-se e esse não é o único indício. Boris gosta de água-de-coco e Chico Buarque.

Errar é humano, mas apesar disso Boris não erra. É apenas ligeiramente cínico, como já se disse. Nada que se compare a um golden retriever, capaz de fazer uma curva com tanta antecedência e sutileza que não será notada pelo deficiente visual – permitindo assim que o ardiloso cão vá urinar numa árvore completamente fora do esquadro. Boris é como um labrador – vai direto ao ponto, sendo assim facilmente descoberto. Um dia, enquanto caminhavam pela calçada, Thais notou uma estranha curva, que ia até o meio da rua e depois retornava à calçada. Voltou para certificar-se da necessidade daquele desvio e descobriu que Boris se desvencilhara de uma árvore caída. “Parabéns, Boris!”, disse ela, sacando do bolso o biscroc. Mais adiante, o movimento se repetiu. Mais um biscroc. Logo depois, outro desvio, novo biscroc. Na quarta vez, ela perguntou para alguém que passava: “Por que ele está fazendo essas curvas?” “Da primeira vez havia uma árvore no chão”, responderam. “Mas das outras vezes, não tinha nada…” Tinha biscroc.

É muito raro que Boris se comporte como um moleque enquanto estiver vestindo o arreio com o qual Thays o segura. É de uma responsabilidade comovente. Quando trabalhava no Banco Real, entre 2003 e 2005, ela só o liberava depois que ele a levasse até a sua mesa. “Agora sim, Boris, vai cumprimentar os seus amigos.” Boris passava de mesa em mesa, no andar inteiro, abanando o rabo para cada um de seus colegas. Penetrava em reuniões, largava-se no chão ao lado dos mais chegados. Se Thays precisasse dele, dava um ou dois telefonemas até localizá-lo. “Boris, a Thays está te chamando” – bastava isso para que reassumisse seu posto imediatamente.

Thays é de uma família de classe média de São Paulo – estudou a vida inteira em escola pública, o que não a impediu de passar no vestibular para Direito da USP. Trabalhou no Ministério Público, ela e Boris. Hoje é presidente do Instituto Iris (de Responsabilidade e Inclusão Social). Advoga principalmente para o terceiro setor. Há três anos, confiando na sua parceria com Boris, saiu da casa dos pais para morar sozinha – quer dizer, com ele. Thays tem namorado. Boris não liga – quando está em casa, passa a maior parte do tempo deitado em frente à porta da rua. À noite, acomoda-se no edredom que fica no chão do quarto. Há alguns anos, Thays descobriu que Boris gosta de travesseiro. Boris põe a cabeça no travesseiro. Estará aposentado quando completar 10 ou 11 anos (70, em termos humanos). Terá de ser substituído, podendo-se dedicar a ser um cachorro comum em tempo integral. Recentemente, Thays descobriu que Boris também gosta de uma coberta sobre o corpo – de modo que um dia desses é capaz que ele acenda o abajur e puxe um livro do criado-mudo.

Fotografo_Marcos Magaldi

Fotografo_Marcos Magaldi

Época Negócios

Inspiração

Thays Martinez tinha 4 anos quando perdeu a visão. Mas isso não a impediu de se tornar advogada e liderar uma ONG para portadores de deficiência


http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI22818-16365,00-TIVE+DE+APRENDER+A+APRENDER.html

Eu perdi a visão aos 4 anos. Tive caxumba e o vírus instalou-se na minha retina. Foi da noite para o dia. Eu estava na praia com meus pais, voltei para casa dormindo e, quando acordei no dia seguinte, não conseguia enxergar direito. Ao final desse mesmo dia, eu não via mais nada.

Meus pais foram iluminados. Apesar do receio e da falta de informações sobre a minha deficiência, eles sempre me deixavam fazer tudo. Nunca disseram: ‘isso não é para você’. Eu brincava, quando criança, de esconde-esconde na rua. Segurava na mão de alguém e ia. Saía correndo, pulava muros. Aprendi a adaptar as coisas para que eu pudesse participar.

Sempre estudei em escolas comuns, todas públicas. Nunca tive à disposição material adaptado. Desde pequena eu tive de aprender a aprender, obter informações pelas mais diversas fontes. Eram meus colegas que liam para mim. Isso é relevante, porque quando eu tive de enfrentar o mundo profissional, convivi com pessoas de todos os tipos.

Quando estava no cursinho pré-vestibular, fizeram uma pesquisa para ver as opções de curso de cada aluno. Eu marquei Direito na Faculdade do Largo São Francisco, da USP, nas três alternativas. Um professor me encontrou no corredor e falou: ‘você não acha que é muita pretensão da sua parte? Já é difícil, por si só, e você ainda tem umas dificuldades extras…’. Eu agradeci o conselho, mas disse que era aquilo que queria. E consegui.

Até recentemente, não havia cães-guia no Brasil. Em abril de 2000, trouxe o Boris [seu atual cão-guia] dos Estados Unidos. Não foi fácil, porque eu achava que ele não estava nem aí para mim. O treinador explicou que o meu cachorro tinha personalidade forte e levaria mais tempo para se acostumar comigo. Se eu não tivesse aprendido a entender o Boris e a confiar nele, talvez o tivesse trocado e perderia um ótimo guia. Em oito anos, o Boris nunca me deixou esbarrar em absolutamente nada.

Com a liberdade que o Boris me proporcionou, acabei fazendo mudanças significativas em minha vida. Uma delas foi pedir exoneração do Ministério Público. Queria experimentar outras coisas e resolvi trabalhar com o terceiro setor. Em seguida, montei a ONG Íris, que treina cães- guia. Já conseguimos entregar 12 cachorros.

Tenho uma relação muito forte, energética com o Boris. Dia desses, eu estava sentada sozinha no sofá da minha sala, pensando em algumas coisas, e sorri quando tive uma idéia. Ele veio e deu uma lambida no meu nariz. Estava o tempo todo sentado de frente para mim.

Uma vez, fui conversar com um executivo para pedir uma recolocação e ele me disse que eu poderia ir para a área de responsabilidade social. Eu estava achando ótimo, até que ele se explicou: ‘a área de negócios, para você, não é adequada. Para essa área, precisamos lidar com muitos gráficos’. Era um executivo de alto cargo… Eu pensei: ‘quem é que não tem visão nesta história, eu ou ele?’.

Inspiração –  Entrevista – 20/04/2009

Por Época Negócios

Thays Martinez tinha quatro anos quando perdeu a visão. Mas isso não a impediu de se tornar advogada e liderar uma ONG para portadores de deficiência. Assista ao vídeo em que ela conversa com a repórter Aline Ribeiro durante uma caminhada, com o cão-guia, em São Paulo.

Boris legend

Boris, 16 de outubro de 2009, 11

anos de lutas, alegrias e vitórias.

Luciana de Almeida Costa nasceu em Barretos no dia 16 de outubro de 72.
Foi boia-fria, doméstica, cursou a faculdade de Educação Física em Catanduva e é graduada em Odontologia pela Unifeb de Barretos. Com a morte do deputado Enéas Carneiro, Luciana Costa assumiu a vaga de deputada federal em 8 de maio de 2007.
Na Câmara Federal, a deputada tem cadeira titular nas comissões permanentes de agricultura, pecuária e desenvolvimento rural, atuando ainda na defesa do consumidor. Como representante da mulher, Luciana Costa tem apresentado projetos voltados para a família, a infância e a juventude. A deputada tem incentivado programas de fomento do turismo rural e do esporte de base. Em 2009, recebeu a medalha da Ordem do Mérito, Ministério Público Militar, Alta Distinção.
Luciana Costa foi a maior novidade da política barretense recente. De filiada ao Prona, com uma campanha humilde para o legislativo, foi convocada para assessorar o deputado Enéas Carneiro. Foi sua primeira suplente, aprendendo com o mestre a assumir posição, postura e missão. Em pouco tempo, mergulhou na difícil arte da política brasileira.
A vida tem sido dura para a boia-fria de ontem, que passou fome na infância, sofreu maus-tratos domésticos e superou marcas e decepções. E mesmo depois da “transformação política”, chegando ao parlamento, tratou de cultivar a simplicidade e o zelo no trato com o próximo.
Sem ser ingênua, teve que aprender rapidamente as artimanhas da política. Apesar de ganhar a vaga de Enéas Carneiro, não recebeu do experiente político as lições práticas do convívio parlamentar. Foi aprender sozinha, enfrentando a tribuna, as provocações e as insinuações dos bastidores do poder.
-Luciana Costa tem feito enormes esforços para representar Barretos e a região na Câmara Federal.
A deputada tem sido hábil em escutar, cuidadosa no falar e persistente no agir. Muitas vezes passa a imagem de “insegurança” ou “dúvida”. Mas sua história de vida é de adaptações continuadas, de aprendizado permanente e de superação de desafios insistentes.
-Luciana Costa chegou onde muitos tentaram e não conseguiram e alguns até talhados para a política não tiveram a coragem de encarar.
Difícil definir hoje o futuro político da deputada federal Luciana Costa. Entretanto, completando 37 anos de vida, tem muitas histórias para contar, testemunha da fé que remove montanhas. Mais ainda: sem confundir simplicidade com ingenuidade, sem trocar dignidade por arrogância, atenta as origens humildes e sonhando sempre com um país melhor, a deputada federal Luciana Costa serve de estímulo para uma nova geração de políticos barretenses.

Justa homenagem para uma parlamentar que está sempre atenta as questões da inclusão.

Parabéns deputada Luciana Costa

fonte = www.odiariodebarretos.com.br

Rio 2016

rio2016esperanca

Colaboração: Viviane Castro ( 02 de outubro de 2009 )

Questão de tempo

Atenção, atenção! , o Rio sediará os Jogos Olímpicos de 2016. Faltam nada menos que sete anos. Até lá, precisa resolver um montão de problemas. Transporte, hospedagem, poluição e segurança figuram no topo. Não é pouco. Pra ganhar a competição, tem de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Já.

A contagem começou. Impõe-se cuidado com a indicação do antes e do depois. Ao falar no antes, é a vez ao verbo haver: O Rio soube da escolha há cinco dias. Mas a batalha pela candidatura começou há vários meses. Brasília luta há muitos anos pela honra de sediar as Olimpíadas. Um dia chegará lá.

Ao falar no depois, o olhar se volta pra frente. A preposição a, pequena e gloriosa, pede passagem: Daqui a 16 meses, haverá a decisão sobre a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Estamos a 61 dias das Olimpíadas de Pequim. O ministro não sabe se vai à China. Só decidirá daqui a pouco.

Consulte também:

http://intra/houaiss/Acesso Restrito

Novo Manual da Redação – FolhaOnline

Conjugador virtual de verbos

Fonte: Dicas da Dad – português com humor, de Dad Squarisi.

Ex-consultora legislativa do Senado Federal, Dad é autora do Manual de Redação e Estilo do Correio Braziliense e

do Banco Central. Atualmente é editora de Opinião do jornal Correio Braziliense.

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