
COM O BASHER
Caminhamos juntos no parque, sem muitos obstáculos, sentindo o barulho das árvores, o vento. Me sinto leve, livre.
Vamos para todo canto de metrô sozinhos. Adorei o metrô depois do cão guia. Quando não conheço direito a estação, peço orientação e logo fazemos o percurso sozinhos. É uma autonomia e segurança antes inimagináveis.
A primeira vez que desembarcamos sozinhos, eu e o Basher, às seis da tarde, com um monte de gente querendo entrar no trem enquanto eu queria sair, foi o dia mais feliz da minha vida. E ele foi direitinho, abrindo caminho entre as pessoas, foi incrível.
O caminho do metrô até o meu trabalho anda cheio de bloqueios e obstáculos, por conta de reformas nas calçadas da região. O Basher desvia de todos, acha o caminho livre e volta à rota usual assim que percebe que é possível.
Às vezes, nesse mesmo caminho até o trabalho, paro para tomar café. E quando digo a ele, “vamos parar no café, acha o café Basher” e ele acha a porta e a cadeira para eu sentar, mal dá para explicar a felicidade que sinto.
Talvez quem não seja privado de pequenas conquistas cotidianas não consiga imaginar o prazer, a realização que trazem. Falo de conseguir dar uma volta sozinho pela rua, nem que seja um quarteirão, pelo simples prazer de caminhar, parar para tomar um café no caminho, achar a porta e o caixa em um banco, desembarcar e embarcar sozinho no metrô, conseguir andar entre as pessoas numa calçada movimentada… Dá vontade de quebrar barreiras, ir além.
Cão guia é uma causa que vale a pena, que muda a vida de muita gente.
Percebo que as pessoas não sentem mais pena de mim, como acontecia antes com a bengala. E isso não tem o que pague.
Me sinto mais segura, independente, confiante, incluída e feliz.
Dani